É comum encontrar fios de cabelo no travesseiro, no ralo do banheiro ou na escova. Mas isso nem sempre significa que existe um problema.
Na verdade, todos os fios passam por um ciclo natural de crescimento, repouso e queda. Esse processo é conhecido como ciclo capilar e acontece continuamente ao longo da vida.
Entender como esse ciclo funciona é fundamental para diferenciar uma queda fisiológica de doenças como a calvície ou outras formas de alopecia.
O que é o ciclo capilar?
O ciclo capilar é o processo natural pelo qual cada fio de cabelo nasce, cresce, entra em repouso e cai para dar lugar a um novo fio.
Cada folículo piloso funciona de forma independente. Isso significa que nem todos os fios estão na mesma fase ao mesmo tempo, o que garante que não percamos todo o cabelo de uma só vez.
Em um couro cabeludo saudável, cerca de 85% a 90% dos fios estão em crescimento, enquanto uma pequena parcela está em repouso ou em fase de queda.
As três fases do ciclo capilar
Fase anágena: o crescimento
A fase anágena é a etapa de crescimento ativo do cabelo. É durante esse período que as células do folículo se multiplicam rapidamente, formando novos fios que crescem de forma contínua.
Essa é a fase mais longa do ciclo e pode durar entre 2 e 7 anos, dependendo principalmente da genética de cada pessoa. Quanto maior o tempo de duração da fase anágena, maior tende a ser o comprimento máximo que o cabelo consegue atingir.
Fase catágena: a transição
A fase catágena é um período curto de transição. Nessa etapa, o folículo reduz sua atividade e interrompe o crescimento do fio. Essa fase costuma durar apenas duas a três semanas e envolve uma pequena porcentagem dos fios.
Fase telógena: repouso e queda
Após a fase de transição, o fio entra na fase telógena. Durante esse período, o cabelo permanece preso ao couro cabeludo, mas já não está mais crescendo. Após aproximadamente 2 a 4 meses, o fio se desprende naturalmente, permitindo que um novo cabelo inicie seu desenvolvimento no mesmo folículo.
É por isso que perder entre 50 e 100 fios por dia costuma ser considerado normal.
Quando a queda deixa de ser normal?
O problema surge quando uma grande quantidade de fios entra na fase telógena ao mesmo tempo ou quando os folículos deixam de produzir fios saudáveis.
Isso pode acontecer em diversas situações, como:
- Calvície (alopecia androgenética).
- Eflúvio telógeno.
- Deficiências nutricionais.
- Alterações hormonais.
- Doenças da tireoide.
- Estresse físico ou emocional intenso.
- Pós-parto.
- Cirurgias.
- Uso de determinados medicamentos.
Nesses casos, a queda pode ser mais intensa, prolongada ou acompanhada do afinamento progressivo dos fios.
O que acontece na calvície?
Na calvície androgenética, o problema não está apenas na queda. O principal processo é a miniaturização dos folículos.
A cada novo ciclo capilar, os fios passam a nascer mais finos, curtos e frágeis, até que alguns folículos deixam de produzir cabelos visíveis. Por isso, muitas pessoas percebem uma redução gradual da densidade capilar, mesmo sem notar uma queda intensa no dia a dia.
O ciclo capilar pode ser alterado? Sim.
Diversos fatores podem interferir na duração das fases do ciclo capilar.
Entre eles estão:
- Predisposição genética.
- Alterações hormonais.
- Envelhecimento.
- Inflamações do couro cabeludo.
- Deficiência de ferro, vitamina D, zinco e outros nutrientes.
- Dietas muito restritivas.
- Doenças sistêmicas.
- Estresse intenso.
Identificar a causa é fundamental para indicar o tratamento mais adequado.
✨ Entenda como o estresse pode alterar o ciclo do fio: https://www.gustavosartorato.com.br/calvicie-artigos-e-noticias/como-o-estresse-afeta-a-queda-de-cabelo-entenda-a-relacao-e-como-proteger-seus-fios
É possível estimular um novo ciclo?
Dependendo da causa da queda, sim. Quando o folículo ainda está ativo, tratamentos clínicos podem ajudar a prolongar a fase de crescimento, reduzir a queda e estimular fios mais fortes.
Já nos casos em que o folículo foi perdido definitivamente, como ocorre em áreas avançadas da calvície, o transplante capilar pode ser uma alternativa para restaurar a densidade, desde que exista indicação médica.
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